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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Futebol saiu e deve voltar já...


Em alguma das minhas colunas passadas escrevi que o futebol caminhava para um futuro sombrio. Isso porque vários sinais começaram a aparecer. Falta de técnicos competentes, falta de evolução das gestões, falta de torcedor nos campos e o principal, falta de jogadores.

O fim dos campinhos de várzea substituídos pela moderna grama sintética! A falta da criançada correndo e tomando aquela água de torneira, substituída por escolinhas e bebedouros! O sangue da tampa arrancada no dedão do pé substituído pelos calos nas mãos do controle de vídeo game!

A única coisa que ainda parece ser a mesma é a bola...

O verde do gramado agora no bolso

Numa dessas tardes de sábado de 2019 eu assistia a um dos principais canais de televisão a cabo. Era um horário considerado até nobre! De repente me deparei com a transmissão “ao vivo”, com direito a narrador e comentarista, de uma partida de PS4. Sim! Uma partida de futebol virtual (videogame) transmitida ao vivo! 

Poderíamos pensar que, num futuro próximo, será mais importante nossas crianças terem habilidades nos dedos das mãos manejando controles? Ou será ainda louvável a qualidade técnica e física numa partida de futebol real?

Sinto muita falta das “peladinhas” do conjunto IAPI nos finais de semana. Chuva, sol, frio, não havia tempo ruim! Raramente vemos hoje uma turma unida para jogar bola como antes. Mas me dizem: ahhhh é reflexo do mundo moderno.
O futebol de salão (que para mim era indispensável na formação técnica de um jogador) sumiu! Lembro ainda que no saudoso Colégio Municipal de Belo Horizonte aprendíamos fundamentos do futebol. Desde bater um lateral corretamente até saber dar um passe ou treinar meros chutes a gol. Era raro o professor liberar aquela “pelada” pois, primeiro, a formação.

Os anos se passaram e o verde dos gramados de futebol está mais reluzente no bolso. Futebol passou a ser negócio puro e direto. Atleta passou a ser um produto de investimento de alta rentabilidade. Imaginem se o Pelé jogasse hoje. Se o Tostão jogasse hoje. Para comprá-los e mantê-los nos clubes seria necessário vender as esfinges do Egito!

O futebol de Minas

Fui convidado pelo Atlético para fazer o pré-jogo no Independência na partida contra o Tupi pela TV GALO sob a condução do amigo e também jornalista, Felipe Ribeiro. Em um dos comentários ressaltei a importância do campeonato mineiro, mas, destaquei a diferença desta importância para os grandes e para os pequenos clubes.

Um exemplo: para o Tupi e maioria dos times que compõe o campeonato mineiro os jogos se tornam vitrines para realização do sonho de ser um jogador de futebol. Contudo, para Atlético, Cruzeiro e até mesmo o América, o Mineiro serve para alinhar e conhecer o elenco da temporada. Assim como sabiamente Levir Culpi vem fazendo no Galo. Colocando literalmente um time B para atuar, conhecendo mais os jogadores e assim dando um padrão único para que, quem vestir a camisa do clube entre bem.

Termino dizendo que, depois daquele trágico e inadmissível incêndio no CT do Flamengo a gente pensa: o futebol é apaixonante, mas o descaso e a soberba que vivemos é mortífero. Não combinam. Não podemos aceitar que no futebol, onde se envolve milhões em dinheiro, tenhamos um fato tão medonho e devastador.

O esporte futebol vai pedindo socorro em tudo: desde um prato digno de tropeiro até o tratamento melhor para o torcedor; do cuidado e dedicação para com as crianças e jovens, até a formação de grandes profissionais que nos apresentem um novo espetáculo!

O futebol parece que deu uma “saidinha”...mas acredito que ele volte!!!
Até a próxima!



domingo, 8 de abril de 2018

Galo é um no Independência e outro no Mineirão

Expulsão do Otero, escanteio não dado quando Fábio defendeu no primeiro tempo, não expulsão do Edilson. Enfim, alguns erros de arbitragem prejudicaram de certa forma uma evolução melhor do Atlético no jogo desta final. Mas não podem servir de ponderação única pela perda do título.

O time foi um no Independência e outro no Mineirão. O Atlético não conseguiu jogar. Otero foi expulso aos 21 minutos do primeiro tempo e até ali o Galo não havia entrado no jogo. Se entraria ou não com a permanência de Otero e uma possível expulsão depois de Edilson? Jamais saberemos.

Falando do jogo, o Galo não deu um chute a gol no segundo tempo. Um chute. No primeiro tempo apenas um chute. Clássico serve como um bom teste para ambos os times. Mas não é o veredito final. Acredito que o Cruzeiro vem numa caminhada longa já com Mano Menezes, para mim, um dos melhores técnicos do Brasil. Time de boas peças e está bem encaixado. O Galo aposta em Thiago Larghi que, já mostrou qualidade, embora tenha perdido o título Mineiro hoje. Com relação a elenco o Atlético precisa se reforçar, no mínimo, com um bom lateral direito e um possível camisa 10, alguém que organize o meio de campo. Há carência ainda de um bom zagueiro.

Falta regularidade ao Atlético nos momentos decisivos.  Não se pode fazer uma partida de 180 minutos apenas em 90 minutos. Não se pode esquecer do jogo. Futebol é um jogo. E se ganha ao final. Hoje o Atlético entrou em campo e fez uma partida muito, mas muito ruim.

Eu resumiria os dois jogos da final que decidiram o título Mineiro de 2018 como coloquei em meu twitter (https://twitter.com/flaviodomenico):

Atlético fez uma ótima primeira partida e o Cruzeiro, uma boa partida. Cruzeiro fez uma ótima segunda partida e o Atlético, uma partida muito ruim. Além da imaturidade do Otero, Galo em momento algum lembrou o time do Independência.

 

domingo, 1 de abril de 2018

Decretado: que o Galo Larghi na frente!


Por mais que a final Atlético e Cruzeiro seja premeditada e querida por todos, os clássicos são sempre recheados de surpresas e de muita emoção.

No último domingo, domingo de Páscoa, não foi diferente. No primeiro jogo da final Atlético e Cruzeiro protagonizaram mais um clássico emocionante. Na história do Campeonato Mineiro são 276 jogos, 116 vitórias para o Galo, 69 empates e 91 vitórias do Cruzeiro. São 664 gols!
O Cruzeiro terminou a primeira fase em primeiro lugar e entrou para as finais com uma vantagem de jogar por dois placares iguais. Time celeste fez um primeiro turno irretocável sob o comando de Mano Menezes. Correndo por fora veio o Atlético, que terminou a primeira fase em terceiro lugar, 11 pontos atrás do Cruzeiro e vem apostando na possível revelação brasileira da nova geração de técnicos, Thiago Larghi.

Galo tira vantagem e faz 3x1

O Atlético vem mudando sua postura em campo. Tal afirmação se deu principalmente no último jogo contra o América. Thiago Larghi conseguiu, enfim, acertar o posicionamento do volante Elias e assim, favorecer mais a participação de Cazares no jogo. Além disso, Adilson ganhou um companheiro na proteção da zaga.
Contra o Cruzeiro no último domingo não foi diferente. Sabendo que precisa reverter a vantagem, o Atlético repetiu a formação do jogo contra o América e foi para cima do Cruzeiro. Já no primeiro tempo, num jogo muito movimentado o Atlético finalizou 5 vezes de forma certeira contra 3 do Cruzeiro. Mas em 9 minutos, a partir dos 36 do primeiro tempo, o Atlético fez 3 gols. Parecia que poderia, inclusive, voltar para o segundo tempo e ampliar o placar.

O Cruzeiro estava desorganizado em campo. Em pleno dia da mentira, parecia mesmo irreal que um time tão organizado como o de Mano Menezes estivesse perdido logo ao enfrentar seu maior rival.

No segundo tempo o jogo continuou franco. Foi um clássico na bola e de muita técnica aplicada em ambos os lados. O Cruzeiro voltou com Arrascaeta no lugar de Rafinha que não havia feito um bom primeiro tempo. E essa alteração resultou no gol do Cruzeiro que diminui a vantagem do Galo e levou para o Mineirão o veredito fina: 3x1 para o Atlético e o Cruzeiro agora jogará no próximo domingo precisando ganhar de dois gols de diferença para levar a taça do Campeonato Mineiro. Taça essa que foi para a Toca da Raposa pela última vez em 2014. Já o Galo, pensando no último título do Cruzeiro em 2014, pode levantar a taça do Campeonato Mienrio pela terceira vez caso mantenha sua vantagem no jogo de volta no Mineirão!

O meio da caminho

Cruzeiro enfrenta o Vasco pela segunda rodada da Taça Libertadores da América já no meio desta semana. Terá de dar uma pausa no pensamento do jogo de domingo, no jogo da volta contra o Galo. E o Atlético faz o jogo de volta também no meio desta semana contra o Ferroviário do Ceará pela Copa do Brasil. Semana movimentada! Semana que promete!

Início quente para Atlético e Cruzeiro. Ambos os times estão num bom caminho. O Cruzeiro numa sequência com Mano. Um time compacto, veloz e capaz de apresentar um futebol envolvente e muito competitivo. Tem boas peças. Tem um excelente entrosamento.

Já o Atlético vem se refazendo. A partir do trabalho do então interino, Thiago Larghi, o Galo vem fomentando um jeito novo de jogar. De forma mais equilibrada e coerente. Hoje já se nota uma postura agressiva e forte nos jogadores, coisa que não se via há tempos.

Fato é que o ano realmente está só começando para os mineiros! Um meio de semana recheado de emoção na Libertadores e na Copa do Brasil. Mas, emoção mesmo, está reservada sem dúvida para domingo na grande final do Campeonato Mineiro, no Mineirão.

Desta vez, foi decretado que o Galo “Larghi” na frente! Mas o trabalho de Mano não pode ser ignorado e o Cruzeiro promete vir forte para cima do Atlético afim de reverter o placar. Ganha o torcedor. Ganha o futebol mineiro!

Que seja novamente um clássico de paz e de muito futebol dentro de campo!
Aproveito para desejar uma Feliz Páscoa para você e toda sua família! Muita paz, renovação e atitude nova para todos nós, homens e mulheres de bem! Lembremos sempre: somos muito mais, em Deus!


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

À procura da partida perfeita!

*publicado no jornal Gazeta da Lagoinha, Agosto/2017

"O futebol brasileiro passa por um momento intrigante. Se em 2003 o rapper D2 cantava que estava “à procura da batida perfeita”, hoje nos gramados os clubes e respectivos técnicos estão à procura não da batida, mas “à procura da partida perfeita”. Houve um tempo que se buscava o jogador perfeito, o craque, a revelação. Buscava-se um conjunto de jogadores qualificados que além de uma partida próxima de perfeita trariam títulos e resultados expressivos para seus clubes.

Esses jogadores desapareceram do Brasil no século XXI. O motivo é pauta para outra discussão!
Antes não era “o momento”, “o lampejo”, mas uma sequência, o casamento entre uma expressiva qualidade individual e o entrosamento do time em campo. Atrelado a um calendário desproporcional com o que se pode esperar em termos de qualidade de jogos, o futebol brasileiro vive um período de transição entre, o que foi um dia excepcional e o péssimo.

Antes do encontro entre Atlético e Corinthians cantei uma pedra quando me perguntaram o que eu esperava dessa partida. Minha resposta: se o Atlético jogar como vem jogando desde o final da era Levir Culpi perde o jogo. Se Rogério Micale conseguisse uma mágica chamada “conserto do time em dias” o Galo poderia então conquistar sua vitória. Não conseguiu a mágica...

Os paulistas dominaram o jogo em pleno Mineirão. Analisando o individual, em termos de elenco, eles estavam, até certo ponto, equilibrados com o Atlético. Mas o Corinthians apresentou um futebol compacto aliado à vontade e a um verdadeiro espírito de equipe.

Vale lembrar que o  discurso raça, no futebol moderno, virou mera obrigação. Vontade? Mera obrigação. Aliás, não faltou raça ao Galo neste jogo. Mas faltou o principal: jogar com espírito de equipe. O Atlético pode até ter esse espírito fora de campo, mas dentro de campo não tem. Não se vê entrosamento, movimentação, voluntariedade para dar opção de jogada. Ao menos, não se vê do time todo. E isso, até aqui, em todas as competições.

Chega a ser tão frenética a busca pela tal partida perfeita que há um debate generalizado no futebol brasileiro sobre propor jogo ou esperar o adversário propor. “Para você propor precisa saber preencher espaços; isso se dá com muito treinamento, e isso não consigo em pouco tempo”, disse Rogério Micale. “Não podemos jogar em linha muito baixa, mas, jogar em linha muito alta não casa com elenco que nós temos”, completou. E Micale está certo.

Mas, enquanto o Galo busca esse equilíbrio das linhas, o jogo contra os bolivianos do Jorge Wilstermann bate à porta e cobra um plano de urgência. A necessidade de reverter o placar no Mineirão para seguir em frente na Libertadores exigirá do Atlético algo muito superior ao que vem apresentando em campo nesta temporada.
O Cruzeiro leva uma situação parecida em termos de competições. Tem a chance clara do penta da Copa do Brasil e no Brasileiro vai figurando sem chance de disputa pelo título. Fato é que Mano Menezes também tenta encontrar na Raposa a fórmula certa de se jogar e, vejo um pouco seu esquema chegar próximo ao do Corinthians. Contudo, o Cruzeiro tem, a exemplo do Atlético, se apresentado ao longo da temporada de forma irregular.

Podemos ainda, ao observar Galo e Raposa, constatar que essa irregularidade muitas vezes é suprida pelo estilo copa, pela fórmula mata-mata. Acaba-se mascarando uma situação, pois, no mata-mata, vence quem foi melhor no tal momento! Podemos pensar: como um time que pode ser campeão da Libertadores e outro, que pode ser campeão da Copa do Brasil, não figuram entre os candidatos ao título num campeonato de pontos corridos? Seria o calendário? Seria elenco desqualificado? Seria falta de vontade e empenho?
O que nos apresentam no Brasil num geral: poucos jogos que cativam nossa atenção. Enquanto os craques e gênios estão hibernando em terras tupiniquins, nós, amantes do futebol, nos contentamos com a sensação do nosso futebol desta era: todos estão correndo contra o tempo “à procura da partida perfeita”!
  
Até a próxima!"

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Comentário: Situação atual do Atlético

Novamente um jogo ruim. Não há culpa exclusiva do Roger nas péssimas atuações do Atlético. Cogitar mandá-lo embora agora seria assinar atestado de incompetência de gestão.

Atlético joga assim desde o final da era Levir. Passaram pelo Galo, técnicos bons e campeões. Contudo, não conseguiram dar um padrão ao elenco pós Libertadores e Copa do Brasil.

Não estou afastando a responsabilidade do Roger. Ele é o técnico. Ele é quem treina. Mas a cultura de culpar e demitir o treinador é ultrapassada. Diretoria acompanha o treino do Roger com seus jogadores. Sabe da capacidade do técnico, caso contrário não seria leviana em trazer o profissional para o clube.

É hora do Atlético parar e fazer uma reunião de gestão com todos que representam o trabalho da instituição. Não vou citar esse ou aquele jogador. Poucos realmente tem feito o diferente. Jogado com certa qualidade. Mas a grande maioria não vem se apresentando bem. Apresentação é ruim individualmente e num todo, como equipe.

Com essa postura em campeão não alimentaria esperança em vencer a Libertadores ou a Copa do Brasil. Mas, caso a postura mude e o futebol apareça, o Atlético tem chance de vencer, inclusive, as duas competições.  


Elenco do Galo excepcional? Não, bom.  Não está atrás de nenhum do Brasil. Agora é preciso que fique claro que, fomentar um time competitivo em campo não é preencher formulário do BID.

terça-feira, 14 de março de 2017

GALO: Dever de casa feito com capricho

O Atlético jogou sua melhor partida do ano contra o Tupi. Não que tenha superado algo intransponível, mas, fez um jogo equilibrado e compacto.

É um esboço de uma evolução querida e esperada do time sob o comando de Roger. Precisamos pensar: um passo de cada vez. O Galo finalmente se apresentou bem, fez os 4 x 0 e dominou os 90 minutos. Quanto ao Tupi ser um coadjuvante do jogo é outra discussão.

Robinho o melhor em campo. Pelo gol, pelo talento e, sobretudo, pela espetacular movimentação. Conduziu a goleada. Era para ser assim mesmo. O Galo se impondo e fazendo seu jogo aparecer. Num todo o time se encontrou em campo e, aos poucos, sinaliza compactação.

Cazares foi também um destaque. Pode ser muito melhor o equatoriano mas, ele fez sua melhor partida do ano. Não que tenha sido ótimo, mas pela primeira vez apresentou um quadro de despertar! Outros destaques para o sempre brilhante Gabriel e para o retorno de Luan.

Um comentário especial para torcida que apoiou o time. Usamos como exemplo o zagueiro Felipe Santana que, mesmo não fazendo uma grande partida, foi aplaudido nas bolas que ganhou. Se faltou um pouco de qualidade ao zagueiro, não faltaram compromisso e disposição.

Talvez faltem ao Galo alguns detalhes importantes para enfrentar os grandes desafios deste ano, mas não podemos negar: o dever de casa foi feito com capricho!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Mudança para buscar títulos!

O jogo de hoje do Atlético contra Tombense esboça uma melhora na qualidade coletiva do time em campo. Esboça. Se por um lado é injusto criticar agora qualquer ação do técnico Roger, por outro lado é cedo demais para dizer que ele acertou o jeito do time em campo.

Mesmo com fragilidade evidente do Tombense, o jogo se mostrou em alguns momentos equilibrado, principalmente no primeiro tempo. Lembrando que o adversário ainda teve um gol mal anulado. Mas no decorrer da partida a superioridade esperada do Atlético apareceu e os gols aconteceram.

Fizeram um ótimo jogo: Giovanni, Gabriel, Marcos Rocha, Otero, Fred e Pratto. E o destaque para excelente atuação do Danilo Barcelos. Danilo que, além da estrela, não esconde do jogo. Isso agrada muito. Teve totais méritos nos gols. E sem dúvida foi uma tarde de observação para Roger seguir clareando o que tem e o que não tem.

Chamo novamente a atenção para o Gabriel pela impressionante regularidade. Não sei se será zagueiro a carreira toda, mas como evolui o futebol dele!

Mais uns 2 a 3 jogos, o retorno de alguns jogadores, como Robinho e a chegada de Elias, são ingredientes para que o Galo siga firme no ano.

Neste sábado o Atlético acendeu a luz verde para 2017. Nota-se evolução!


#vamosGalo

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Surge uma nova cor: Verde Chape

@flaviodomenico

Somos apaixonados por futebol. Somos apaixonados pela vida. Somos apaixonados pela festa, pela alegria, pelos gols, pelos lances mágicos que nos transportam. Somos apaixonados pelas barriquinhas, pelas resenhas, pela cerveja, o churrasquinho. E fato: somos apaixonados por cada concreto do estádio. Somos brasileiros apaixonados pelo esporte da bolinha jogada com os pés.

Na manhã desta terça-feira, quando abrimos os olhos para o novo dia, já sentindo um clima de véspera de quarta futebolística, essa paixão deu lugar a um sentimento de dor. Uma dor silenciosa e arredia. Uma dor que agora é perene.

Belo Horizonte neste momento está chuvosa. É como se o céu chorasse conosco um dia sofrido. Uma chuva para recompor quem sabe as lágrimas ou, até mesmo, derramá-las de uma só vez. Em consonância, as telas modernas pintam a cena da Arena Condé lotada. De torcedores gritando, aplaudindo, empunhando bandeiras. As crianças também estão lá. Agora, neste momento! O mesmo canto, a mesma paixão, a mesma alegria.

Mas há um detalhe: desta vez o gramado está vazio. Não há chuteiras, não há dribles, não há apito e, o único impedimento é vê-los de novo. Não há imprensa. Não há bola! Numa cruel agonia vai se findando esse eterno dia...

Chapecó, Santa Catarina; Santa Chapecoense, Santa Chape! Nossos olhos marejados se achegam ao sono desta noite. Vão insistindo em ficar abertos para olhar também por vocês e como vocês. Estamos unidos na dor. Estivemos na alegria que por vezes é tão fatiada neste mundo do futebol. Neste momento não há atleta, pobre, rico, preto, branco, jornalista, dirigente; neste momento há milhões de corações brasileiros batendo no mesmo compasso. No compasso de uma profunda tristeza.

O futebol veio de sua pequenina importância nos ensinar que dentro das quatro linhas, quando o juiz apita, não há espaço para morte. Não há espaço para brigas imbecis. Não há espaço para divisão. Há sim muita vida dentro e fora de campo. A partir de hoje, quem sabe essa dor imensa nos ensine a ser feliz novamente com o futebol! A colorir de verde chape nossos uniformes, nossas bandeiras, nossos corações. Aprender com o verde chape a respeitar e admirar nosso próximo. Que sabe o futebol venhas a ser novamente simplesmente futebol.

Nosso carinho, nossas orações, às vítimas desta tragédia aérea no voo da destemida equipe da Chapecoense. Aos que se foram, nossa gratidão e saudade! Ficamos por aqui com a promessa que, daqui, tentaremos ser muito, mas muito melhores que ontem...

sábado, 26 de novembro de 2016

A demissão que sugere inovação

*twitter: @flaviodomenico

Há algum tempo escrevi  sobre a importância do técnico neste momento atual do futebol brasileiro (A Safra é fraca – setembro de 2014).  A escassez de bons jogadores, craques e até mesmo o desaparecimento dos gênios levaria o mundo do futebol a exigir mais do grupo e menos do individual. Mais trabalho do comandante à beira do campo, do técnico.

Foi-se o tempo onde havia 5 ou 6 atletas de alto nível num mesmo grupo. Hoje, o comprometimento da equipe, a obediência do jogador e a visão apurada do treinador tende a fazer a diferença na hora das conquistas.

O trabalho do treinador é sim de tamanha importância para organização e gerenciamento do time durante uma partida e, sobretudo, numa campanha rumo ao título. Contudo, o treinador não é a alma do time. Não é o motor e a essência das jogadas. Tal fato se deve ao clube de futebol e aos jogadores que vestem a camisa deste time. Quando o treinador chega não irá representar sua filosofia de trabalho, mas a de um clube e de sua história.

A demissão do técnico Marcelo Oliveira nos abre uma série de questionamentos sobre o papel dele no Atlético. Vamos a algumas afirmações: não havia padrão de jogo, não havia jogada ensaiada, time não era compacto em campo, jogadores muito distantes nos setores (defesa, meio, ataque), escalação e algumas substituições sempre óbvias, que quase sempre não surtiam efeitos estratégicos no jogo. E é bom lembrar que futebol ainda é um jogo!

Centralizar então a culpa de um possível ano sem conquistas (caso o Galo não vença a Copa do Brasil no jogo de volta em Porto Alegre) no Marcelo Oliveira é correto?!

Definitivamente não. Embora as afirmações citadas acima sejam verdadeiras seria muita comodidade entregar um pacote de culpas nas mãos do técnico e mandá-lo embora. E se isso fosse a solução, o ex-técnico atleticano não estaria até o primeiro jogo da final da Copa do Brasil no comando. Já teria sido demitido no meio do ano e o Galo procuraria dentro do mesmo ano seu 3º comandante.

Pensemos nos times da Europa. Pensemos no Barcelona. Hoje, desde o infantil até o profissional, a filosofia de jogo é a mesma. Há um trabalho forte e sério na base. Há um padrão. Treinamento de um estilo de jogo implantado fortemente por Cruyff a partir de 1988.

O técnico, que já havia construído uma história no clube como jogador, colheu frutos espetaculares de seu trabalho e comandou o Barça por 9 anos. Ele tinha o apoio da diretoria, da torcida e dos jogadores. Nesta época Pep Guardiola e Romário faziam parte do time.

Já está na hora, não só do Atlético, que possui uma invejável estrutura física, a melhor do Brasil, evoluir. O futebol brasileiro precisa acordar para um gerenciamento melhor de um esporte que tem perdido aos poucos o encanto e tem se tornado um mero negócio mal gerido.


Com a demissão (tardia e/ou talvez precipitada) de Marcelo Oliveira, o clube e os jogadores, simbolicamente, também foram demitidos. Mesmo restando a esperança do título, o Atlético precisa renovar e, principalmente, inovar. Lembrando que inovar não é inventar a lâmpada mas, encontrar novas possibilidades de se fazer algo, sair da mesmice. Sair do “sempre do mesmo jeito”. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Quem será nosso garçom?

O prato está servido. Cada um come e degusta aquilo que lhe é permitido. Muitas vezes não o paladar querido. 
Eticamente, politicamente, religiosamente, na mente e para quem mente, o prato está servido!
O fato é quem serve o que e, quem come o que. Ou até mesmo, quem senta à nossa mesa para cear conosco?

Domingo dois homens nos oferecerão pratos diversos. Nos convidam a ser nossos garçons. Mas apenas um terá o privilégio de nos servir por quatro anos. A olhar por nós e executar políticas dignas para uma sociedade digna. Que honra!
Neste dia escolheremos quem irá chegar perto de nossas famílias, de nossos amigos, de nosso emprego, de nossos recursos naturais, de nosso tempo, de nosso bolso, de nossas vidas, de nossas mesas.
O prato está servido. Há duas opções. Há dois sabores. Há?
Nos debates para garçom da beagá perfeita, ao invés de uma aula de gentilezas e serviços, nos apresentaram até aqui uma verdadeira batalha pelo poder. Primeiro o poder, o resto é lucro! Ah, uma coisinha aqui um outra ali e ... estará tudo certo!
Não quero entrar nos méritos da votação e nem tão pouco abrir meu voto neste ambiente virtual. Mas minha decepção com o que está acontecendo em nosso âmbito político já ultrapassou a barreira do pavor.
Temo que nossos ouvidos estejam longe de escutar o verdadeiro cardápio. E o pior: talvez a gente nem saiba mais qual o prato que queremos escolher e apreciar.
Hoje nossos bravos candidatos à cobiçada cadeira de garçom municipal de Belo Horizonte estão tecnicamente empatados. Sinal de divisão forte. Cada vez mais forte. Segue a cena. Segue o drama encenado em plena vida real! O problema é o fim da peça, porque a mensagem que tem ficado não tem edificado.

sábado, 1 de outubro de 2016

Pitacos Navegantes - Véspera de voto

É inegável a dificuldade para se votar neste 2 de outubro. Pelo sistema ruim, pela política atual, pela historicidade dos feitios (dos não feitios). Os pleitos por votos vem de todos os lados: de amigos, de colegas, de conhecidos e desconhecidos. Eles chegam como clamor necessário e redentor.
Nós, mortais votantes, temos a potente sensação de extrema democracia, de poder nas mãos. Mas essa não é a absoluta verdade. A força do foto não tem sido capaz ao longo dos anos de construir um Brasil justo, solidários e fraterno. Tivemos evoluções e o poder lá de cima tem trocado de mãos. Bom para os eleitos! Mas nem tão bom para os eleitores.
Era o imperador, eram os militares, são os civis. Evolução a passo de tartaruga. Mas há quem caminhe a passos largos!
E muitos dirão: utopia ter um país justo, ainda mais se tratando da terra de Santa Cruz. São anos e anos assolados pela medo, pela ditadura, pela extorsão, escravidão, pela exploração. Sim, somos um povo que sentimos o flagelo na hora do voto.
Hoje o chicote vem na impotência dos honorários da labuta. Nos juros do cheque especial, da compra da casa própria, dos bens com preços além da imaginação, da viagens que não podem ser feitas. O chicote vem na falta de segurança, educação e saúde.
Vem ainda no olhar cansado do pai e da mãe em ver que a honestidade e o trabalho competem de forma desonesta com a bandidagem e com o corrupto. O chicote vem forte no estudante obrigado a escutar que 4 anos de estudo em sua faculdade, geralmente lhe dará apenas o direito de se ingressar em uma pós ou MBA. Nem sempre terá um salário digno e compatível com seus sonhos e competências.
A dificuldade de votar está em tudo isso. Em pensar que nada vai mudar. Em pensar que nos chamarão de incrédulos e não democráticos. Muitos de nós vem se sentindo há tempos verdadeiros idiotas. Muitas vezes o voto nos torna patéticos. Seríamos nós verdadeiros imbecis?
Se a novela mostrou para muitos que é tempo de santo, amanhã as ruas estarão sujas e repletas de santinhos. Os interessados no poder estarão afoitos e ligados no 220. E nós, levantaremos e iremos caminhar para apertar um botão afim de que, dezenas de homens e mulheres passem "bravamente" a nos "representar".
Ao acordar nesse domingo temo que minha esperança não se levante da cama. Embora seja meu intrínseco desejo: que uma eleição fosse sinal de crescimento e evolução social!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pitacos Navegantes

Senhora saudade
Uma comunidade pobre de São Paulo sofreu hoje com seus barracos em labaredas de fogo. Barracos de madeira e extremamente frágeis. Mas foram barracos de esperança e de aconchego. Barracos de promessas e famílias. Barracos à margem da vida imperial, da vida real, da vida insana e luxuosa do vil metal.
Barracos que nos remetem a um mundo comandado por divisores que causam discórdia e cultuam o individual. Que incitam a cultura do "eu posso", "eu faço", "eu vou vencer". Que desfilam diariamente suas torres e cavalos luxuosos.
De repente uma senhora, com o barraco (de madeira já em cinzas), decidiu ser gentil com o repórter da TV e lhe conceder a oportunidade de entrevistá-la.
Assim, com olhos marejados, ela olha para o que restou de algo que era chamado de lar e diz assim:
"Eu queria apenas poder entrar lá dentro, sinto saudade, de entrar lá dentro de minha casa" - diz a senhora fitando o que não restou de seu barraco de madeira.
Imaginei que uma senhora que morava numa favela, numa casa feita de ripas de madeiras e pregos, sentia saudade de seu lar.
Como ela consegue lembrar com tanto carinho de um barroco de madeira tão simples e precário? Lembrei de um compositor amigo,Nelsinho Corrêa, que diz em uma música:
"Só se tem saudade do que é bom,
Se chorei de saudade não foi por fraqueza,
Foi porque amei".
O amor daquela senhora era tão puro e tão simples, tão real, tão livre de amarras e estereótipos, tão amor...
É irreversível nossa imbecilidade e nosso egoísmo humano. E não mudará. É mais fácil ser assim do que ter laços de amor. Porque é mais cômodo cultuar o que se vomita nesta escola de ostentação e poder do que partilhar. Do que promover o outro é proporcionar a ele uma oportunidade de viver em paz.
Não conheço essa senhora e, provavelmente, não vou conhecer. Mas agradeço por ela ter sido nesses poucos minutos minha professora. Por me fazer desacelerar, olhar para o que tenho e agradecer.
Ficarei contudo atento! É que talvez quando eu abrir minha janela ela esteja logo ali.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O Galo e o futebol na era dos culpados!

Caro amiga e amigo, não é de hoje que procuramos culpar alguém ou algo em resultados negativos no futebol. É secular. No começo era a bola, a chuteira, o uniforme, o cronômetro e o tempo. O sol, a lua, o técnico e até o jogador. Depois, por mais paradoxo que pareça, alguém que está no esporte para julgar e avaliar os lances tornou-se o pecador mor: o juiz. Seguido de seus pais e dos respectivos assistentes, o juiz de futebol carregou por anos a fama de ser um dos principais vilões da glória futebolística!

Mas a culpa evoluiu mais do que a própria qualidade neste jogo ao longo das décadas. Por vezes até mesmo a imprensa leva o dolo. O torcedor também é apontado como o culpado!

Culpa! Culpado! Culpe-se.

Talvez, o certo seria delatar o próprio jogo pelas derrotas e tropeços. Mesmo que num eventual e monótono empate! Mas não. Não é o suficiente. Alguém é acusado por perder e conseqüentemente prorrogar, além dos 90 minutos, o grito de campeão de um clube.

No Galo, em 2012-2013, a efêmera e marcante era do estilo mágico de jogar conduzido por Cuca, Ronaldinho Gaúcho, Tardelli, Bernard e demais jogadores, trouxe a glória!
Na seqüência, o Atlético fez uma breve dança dos técnicos. Primeiro Autuori chegou e não teve autoridade suficiente. Levir chegou e ganhou a Copa do Brasil. Mas Culpi ressuscitaria a culpa. Depois se apostou em Aguirre, mas, o time não foi aguerrido o suficiente

Marcelo Oliveira e, com ele um elenco dito como qualificado. Mas o técnico, até o momento, embora ocupe o 3º lugar no Brasileirão, ainda não conseguiu dar um padrão de jogo convincente ao Atlético.  Porém, vem sobrevivendo entre lampejos e contusões. Inegável que seu trabalho vem gerando resultado. E olha a culpa: o resultado é dele, dos jogadores ou dos dois? Tudo tem que ter um culpado no mundo da bola!

A estrutura é impecável, a torcida é apaixonada, o técnico é bicampeão da competição e boa parte do elenco é qualificada tecnicamente. Então a culpa é de quem? Essa vem sendo a tônica dos comentários num geral. Seria das lesões, das ausências, do técnico, do juiz, da apatia?

Talvez o melhor seja bater tudo isso num liquidificador e parar de pensar tanto na culpa.  Tentar chegar numa solução. Inclusive pensar o resgate do futebol brasileiro.

O Atlético se apresenta em campo, dado ao elenco que possui, entre a tênue linha da evolução e o irritante cenário de ser fazer apenas o trivial nos jogos. Um último fato: não é exclusividade do Galo esse cenário.

Assim, de todos os citados neste texto, aquele que não for o culpado pelo futebol brasileiro estar neste nível, que atire a primeira bola!


Temo pela escassez de bola...

domingo, 8 de maio de 2016

Final do Mineiro 2016

Mineirão resolvido no Horto

Aquele sol na torcida trouxe de volta o glamour do Mineirão. Uma lembrança quase que remota do templo maior do futebol mineiro. Mineirão hoje carente da torcida do Galo. E sob esse sol, uma disputada final do Campeonato Mineiro que, embora jogada na Pampulha, foi definida no Horto.

Tivesse o Galo jogado no Independência com a garra que jogou hoje, poderia no mínimo, ter mantido sua vantagem conquistada na fase de classificação. Não há como citar o jogo de hoje como final de um campeonato, sem citar o jogo anterior, no Horto. E, ali, talvez o pecado maior: de achar que pode se resolver tudo em apenas 90 minutos quando pelo regulamento, para ser campeão, é preciso se jogar com regularidade 180.


Na primeira partida, no jogo do Horto, vimos um Galo apático. Despertado apenas na etapa final, quando respirou ares de voltar a disputar o caneco com um gol de Pratto. Vantagem agora estava transferida para o Coelho.

Hoje no Mineirão não faltou raça e não faltaram oportunidades. Mas de ambos os lados. A estranha improvisação de Diego Aguirre com Rocha e Carlos Cesar vinha dando certo. Havia raça e vontade, havia correria. Mas isso, para quem veste a camisa do Galo, é obrigação. Então nada de anormal. O Atlético esboçou alguns toques, uma boa movimentação e perdeu o zagueiro Tiago cedo demais.

Mesmo com 10 o Atlético vinha se superando em campo. Procurando o gol e, nitidamente, buscando a vitória. Clayton abriu o placar para o Galo! Mas, quando parecia que tudo caminhava bem, a lembrança dos 180 minutos voltou.

Se o Galo marcou um gol com 10 em campo, o América, quando ficou com 10, com a expulsão de Alisson, também marcou! Aos 38 minutos o empate, o (terceiro) gol do América e, terceiro de Danilo. Ele entrou durante o jogo no Horto para sair campeão no Mineirão. O Coelho não desprezou a vantagem. Embora tenha jogado um tanto atrás conseguiu ter também boas oportunidades durante a partida.

Por aqui o América é campeão Mineiro com méritos. Por outro lado o Galo pode ser campeão das Américas com todos os méritos. Para isso precisa de um time certo. Escalado corretamente, jogando sempre com raça e qualidade. Ainda precisa acertar e treinar melhor seu ataque.

Eis a chance no Morumbi, com ingressos esgotados, para que o Aguirre consiga passar afinal sua mensagem de campeão. Embora tenha uma elenco qualificado, até hoje não se sabe ao certo quais os jogadores do Atlético são os ideais para entrarem em campo e se fazer uma apresentação em alto nível. Há ainda uma expectativa maior com relação ao que esse elenco pode produzir.


Fica a torcida para que o time do Galo entenda esse jogo de 180 minutos pela Libertadores e traga na bagagem, em sua viagem de volta para Confins, uma boa vantagem diante do São Paulo. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

Éramos amarelos, somos verdes!

Em pleno século XXI o Brasil caminha para sair do status de amarelo. Pretende mostrar que agora é um país maduro. Contudo, para mim, o status é verde. Estamos, talvez, no meio do caminho.
Acompanhei a votação do parecer favorável do afastamento da presidente Dilma e, consequentemente de seu partido, o PT. Assusta-me o exaltar dos ânimos. A exaltação tanto dos que são a favor quanto dos que são contra tal ato. Assusta-me a exaustiva cobertura e opinião de tantos doutores. E cada vez mais, tudo me parece escuro...
Quem apagou a luz?
Golpe? PT? Livramento? Crime? Ditadura? Bandidagem? Democracia? PSDB? Onde estamos nós?
Somos verdes porque precisamos gritar, esbravejar, esbofetar. Precisamos pintar rostos e bandeiras. Precisamos agredir, cuspir, xingar. Somos verdes, antes éramos amarelos. O que é pior? Amarelar ou se tornar verde? Ah...é democracia! Um processo de amadurecimento. Estamos vivendo para ver.
Um país de tanta lama, fome, miséria. De concessões obscuras e marginalidade hoje à flor da pele. Por outro lado um país de povo alegre e trabalhador. Sustentado por milhões de formiguinhas...
Somos verdes, antes éramos amarelos. Amarelos de contentamento e agora verdes. Posso dizer que tivemos tempo de nos preparar mas, não nos preparamos para este momento. Somos verdes. Não temos tanto conhecimento. Tanto que estamos separados.
Tanta informação e formação e estamos separados.
O que vamos dizer para nossos filhos quando nos perguntarem: quem somos nós? O que?
Diremos que somos um país que, em pleno 2016, ergue um muro de metal para separar pessoas afim de que elas não se agridam porque querem o bem do país...Paradoxo? Somos verdes, crus, éramos amarelos!
O que fizeram com nosso conhecimento. O que fizeram com nossa criança e juventude varonil? Porque esbravejamos num grito oco e vazio? Não brincamos mais e, estamos preferindo os pesadelos do que os sonhos.
Somos verdes, estamos no meio do caminho. Éramos amarelos, talvez covardes! Quem sabe um dia, não só aqui no Brasil, mas em vários cantinhos, a paz ache um lugar. Talvez um dia o diálogo seja maior que o simples abrir de boca.
Oremos.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Faltou o gol

O Atlético entrou em campo (ou quase em um campo) contra URT em Patos de Minas com time praticamente reserva. A novidade era Robinho e Cazares juntos. Cazares jogando como armador e Robinho livre no ataque. E assim foi.

Robinho perdeu ao menos 3 ou 4 gols que não costumava perder. Contudo, o novo 7 do Galo participou intensamente do jogo. Tabelou, marcou, correu, sofreu faltas e esteve muito  perto de balançar as redes pela primeira vez jogando pelo Atlético. Mas não marcou. Quem balançou as redes foi a URT.

A URT fez o básico: retrancou o time e jogou por uma bola. E quando essa bola chegou trataram de fazer o placar. Numa falta pelo lado direito e com desvio na barreira, conseguiram vencer o goleiro Victor. 

Desde o jogo contra o Del Valle, pela Libertadores, observa-se que o Atlético ainda não se encontrou coletivamente. Há quem diga que é cedo para esse entrosamento. Que o Aguirre ainda não teve tempo para ajustar o time. O time é líder da Libertadores e era líder também do Mineiro.

Fato é que o novo técnico do Atlético recebeu da diretoria um elenco muito qualificado e tem a oportunidade de mostrar que pode ser campeão por aqui. Não se pode dizer ainda que Aguirre montou um esquema com sua cara no Galo. Mas tem tudo para inovar. Aliás é preciso fluir essa inovação.

Observando, por exemplo, o estilo de jogo do jovem Cazares podemos notar a facilidade do toque. E ele pode, com uma boa orientação técnica, mudar definitivamente o jeito do Galo jogar. Com suas características ele tomou conta do meio de campo. Joga com facilidade. Tem boa leitura da dinâmica das jogadas  num estilo de futebol de salão.

Resta a visão do Aguirre para perceber e orientar a seus comandados que a bola precisará passar com maior frequência nos pés do garoto  equatoriano. Para que ele assuma de vez a função de armador do time. 

Perante à frágil equipe da URT o Atlético pecou na finalização. Poderia ter marcado de 3 a 4 gols. Faltou alguns pontos ao Galo para continuar a liderança no mineiro mas, faltou principalmente, o gol.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O Galo que vimos e o Galo que virá

A expectativa era grande. Um gol relâmpago, servido de bandeja no Pratto para o torcedor, e a expectativa se tornou gigantesca. Esse era o cenário do Atlético em sua primeira partida no Estádio Independência pela Libertadores 2016.

A palavra evidente era Robinho, mas a palavra escrita foi Cazares. O garoto equatoriano de 23 anos jogou um futebol de primeira: drible, movimentação e a tão sonhada armação. Numa noite inspirada, Cazares comandou o meio de campo do Atlético como há tempos não se via. O jogador teve ainda duas oportunidades de gol que acabou não concluindo bem. Contudo, o erro não apaga o que ele fez na partida e o que pode vir a somar pelo Galo.

Robinho foi chamado por Aguirre aos 8 minutos do segundo tempo e entrou aos 12. Entrou escutando protestos da torcida, não contra ele, mas contra algo inimaginável para quem acompanhava o jogo: a saída de Cazares. Com sua saída, Lucas Pratto parou de receber bolas e começou a fazer como antes: voltando até o meio campo para tentar algo. A saída de Cazares derrubou a supremacia do Galo na partida. Enquanto isso Patric flutuava pelo gramado meio que sem posição definida...

Contra o Independiente Del Valle observamos um Galo que, no começo do primeiro tempo encantou. Depois, mesmo ainda aguerrido, o time perdeu o brilho apresentado no começo do jogo. Valeram os três pontos, a manutenção da liderança, mas ficou aquele sentimento de poderia ter feito mais. Mais gols, mais jogadas, mais ofensividade.

A diretoria do Atlético marcou gols de letra fora das quatro linhas reunindo um elenco de alto nível. Agora só o tempo dirá como será o Galo de 2016 sob o comando de Diego Aguirre. É fato que suas mudanças não agradaram. A opção neste início de trabalho pela permanência de Patric como titular ainda pode ser considerada provisória. É cedo para duvidar da capacidade de Aguirre em arquitetar este elenco a ponto de fazê-lo um time vibrante, ofensivo, marcador e campeão. Fato é que, jogador para tal feitio ele tem!

Esperamos que o Atlético visto em campo ontem seja apenas um pequeno esboço do Atlético que virá! 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PITACOS NAVEGANTES

O tempo à revelia

O fim de 2015 vem sendo desejado por muitos. Um ano lamacento e sangrento para o mundo. Não precisamos recordar aqui as tragédias e os acontecimentos malignos que, se distanciam de nós, apenas pelo passar das horas.
foto: Flávio Domênico
Fato é que estamos condicionados a desperdiçar nosso precioso tempo. Ainda temos 48 horas para viver neste ano e queremos que esse tempo simplesmente passe. É como se estivéssemos dando nosso coração para o acaso. Desperdiçando 48 horas. Quanta coisa podemos fazer nesses dois dias que findam o ano de 2015?
Emocionado, descobri que, 2016 será realmente diferente: o 5 será substituído pela 6! Essa é a diferença real do ano que ainda não acabou para o que ainda está por vir
.
É que estamos condicionados a pensar pequeno. A pensar apenas na nossa sobrevivência. E realmente dois dias para quem está apenas sobrevivendo é muito. Sobra. Assusta.
Precisamos pensar melhor nossas horas. Nosso tempo. Talvez haja tempo do tempo nos dar um tempo maior para termos mais tempo daqui para frente. Tempo...ah o tempo...
Seja em 2016, seja em 2036, vamos tentar ter tempo para viver e, se possível, AMAR.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PITACOS NAVEGANTES - Dezembro de 2015

A carta que "Caminha" para trás

Ele avistou o verde, amarelo, azul e branco. Era escrivão de Cabral. Tempos e mais tempos à toa no mar. Cabeça pronta para pensar. Pena e tinta ávidas por um ofício, por um trabalho. Talvez o senhor Pero Vaz estivesse cansado de ver tanta água!
A suposta descoberta do Brasil começou sob os olhares dos destemidos marinheiros portugueses. Agora, 515 anos depois, o barco está à deriva. Não navega mais devido a tanta lama no Atlântico. O barco agora, como num passe de mágica, caminha! Continua se movimentado, "Pero Caminha" para trás.
Os europeus chamavam aqui de "Novo Mundo". Hoje, se escrevessem uma nova carta como a de Vaz, eles chamariam de "Novo Mundo Estragado". Talvez tenham pensado quando desembarcaram por aqui: “ohhh, que belo! Um lugar fácil para a gente explorar, escravizar e contar por séculos vil metal em nossos castelos”.
Ou será que pensaram: “ohhh! Que belo lugarejo! Vamos trazer nossas famílias, povoar esse lugar lindo e criar uma nova sociedade, com uma economia forte, igualitária e fraterna. Vamos aproveitar os nativos como aliados! Faremos um brainstorming e um benchmarking com eles".
Fato é que de 1500 até 1822 (independência) passaram-se 393 anos! Durante todo este tempo o Brasil foi apenas explorado e escravizado. Tornou-se um celeiro de experiências políticas, sociais e econômicas desastrosas. O desenvolvimento e o bem do povo nativo eram secundários. Eram?
A partir do "grito do Ipiranga" temos singelos 193 anos de liberdade e independência. Esse é o tempo até aqui para se reconstruir o sistema de exploração e escravização que assolou o brasileiro. Sob os efeitos aprazíveis da carta de Caminha navegamos em 2015 com nota “sem”! Brasil sem pudor, sem ética, sem educação; Brasil sem saúde, sem paz, sem economia, sem verdade; Brasil sem esperança, sem escola, sem honestidade; mas ainda, Brasil.
As velas içadas nas belas caravelas desbravadoras nos presentearam com uma herança de ventos errantes. O leme tem passado há quase dois séculos de mão em mão e a navegação continua atrapalhada. Em plena era moderna bradamos à revelia nossa independência. Não sabemos o que somos: escravos ou livres. Não sabemos se estamos ainda sob o estalo do açoite e sob o aperto da gargalheira, ou se já vivemos sob a brisa do mar e o barulho cálido de nossos rios.
Hoje, se algum desbravador chegasse por aqui escreveria uma carta com apenas 7 letras ou, se preferirem, com apenas 8 caracteres: socorro!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Diamantes com rubi se foram

Dezesseis e trinta de uma quinta. A tarde chamando a noite que se achegava devagar. Mas algo não estava no roteiro da vida. Algo que representava o descaso, a ignorância, a soberba, a luxúria estava para ditar, mais uma vez, sua regra.
De repente o mundo de oitocentas acabou. O apocalipse chegou ali primeiro. Primeiro que na Lagoinha, no Sion, na Serra, no Leblon, no Mangabeiras. Não deu tempo de proteger a todos. Não deu tempo de salvar diamantes com uma pedrinha de rubi. Eram diamantes com coração. Não deu tempo. Vários diamantes com rubi se foram...
Culpados: a natureza, o terremoto, marte, a lua, o mar, os rios, a lama. Segundo culpado: quem? Fato é que Bento Rodrigues se foi e junto com ele sonhos transformados em lama.
Não havia sequer um aviso de perigo. Não havia um plano. Não havia nada. Havia uma mulher, um homem, uma criança, havia o vovô e a vovó, havia o pai e a mãe. Havia. Não há mais. Não em Bento.
Uma tragédia debaixo de nossos olhos e a solução esteve e está na justiça falha e esdrúxula dos homens. Amontoaram famílias e pessoas de bem. Porque não trouxeram para capital, para acomodações no Ouro Minas, Othon Palace e tantos outros. É pedir muito...
Enquanto estupendos estudiosos se preocupam em criar novos tipos de seres humanos e regras, a vida básica se deteriora como farelo em nossas mãos. Onde está o legislativo, o judiciário e o executivo? Onde está o voto de Bento Rodrigues. Eu sei: no lixo. Assim como o meu. Onde estamos nós neste cenário trágico e cômico?
Menininha de Bento Rodrigues, nos perdoe por não termos conseguido lhe proteger. Por não estarmos todos juntos fazendo uma corrente humana para lhe resgatar. Por deixar essa lama maldita, que suja nosso mundo diariamente, levar você de seu papai e sua mamãe. A gente nem tentou. Mas, reze por nós para que um dia estejamos em paz como você está agora.