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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PITACOS NAVEGANTES - Dezembro de 2015

A carta que "Caminha" para trás

Ele avistou o verde, amarelo, azul e branco. Era escrivão de Cabral. Tempos e mais tempos à toa no mar. Cabeça pronta para pensar. Pena e tinta ávidas por um ofício, por um trabalho. Talvez o senhor Pero Vaz estivesse cansado de ver tanta água!
A suposta descoberta do Brasil começou sob os olhares dos destemidos marinheiros portugueses. Agora, 515 anos depois, o barco está à deriva. Não navega mais devido a tanta lama no Atlântico. O barco agora, como num passe de mágica, caminha! Continua se movimentado, "Pero Caminha" para trás.
Os europeus chamavam aqui de "Novo Mundo". Hoje, se escrevessem uma nova carta como a de Vaz, eles chamariam de "Novo Mundo Estragado". Talvez tenham pensado quando desembarcaram por aqui: “ohhh, que belo! Um lugar fácil para a gente explorar, escravizar e contar por séculos vil metal em nossos castelos”.
Ou será que pensaram: “ohhh! Que belo lugarejo! Vamos trazer nossas famílias, povoar esse lugar lindo e criar uma nova sociedade, com uma economia forte, igualitária e fraterna. Vamos aproveitar os nativos como aliados! Faremos um brainstorming e um benchmarking com eles".
Fato é que de 1500 até 1822 (independência) passaram-se 393 anos! Durante todo este tempo o Brasil foi apenas explorado e escravizado. Tornou-se um celeiro de experiências políticas, sociais e econômicas desastrosas. O desenvolvimento e o bem do povo nativo eram secundários. Eram?
A partir do "grito do Ipiranga" temos singelos 193 anos de liberdade e independência. Esse é o tempo até aqui para se reconstruir o sistema de exploração e escravização que assolou o brasileiro. Sob os efeitos aprazíveis da carta de Caminha navegamos em 2015 com nota “sem”! Brasil sem pudor, sem ética, sem educação; Brasil sem saúde, sem paz, sem economia, sem verdade; Brasil sem esperança, sem escola, sem honestidade; mas ainda, Brasil.
As velas içadas nas belas caravelas desbravadoras nos presentearam com uma herança de ventos errantes. O leme tem passado há quase dois séculos de mão em mão e a navegação continua atrapalhada. Em plena era moderna bradamos à revelia nossa independência. Não sabemos o que somos: escravos ou livres. Não sabemos se estamos ainda sob o estalo do açoite e sob o aperto da gargalheira, ou se já vivemos sob a brisa do mar e o barulho cálido de nossos rios.
Hoje, se algum desbravador chegasse por aqui escreveria uma carta com apenas 7 letras ou, se preferirem, com apenas 8 caracteres: socorro!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Diamantes com rubi se foram

Dezesseis e trinta de uma quinta. A tarde chamando a noite que se achegava devagar. Mas algo não estava no roteiro da vida. Algo que representava o descaso, a ignorância, a soberba, a luxúria estava para ditar, mais uma vez, sua regra.
De repente o mundo de oitocentas acabou. O apocalipse chegou ali primeiro. Primeiro que na Lagoinha, no Sion, na Serra, no Leblon, no Mangabeiras. Não deu tempo de proteger a todos. Não deu tempo de salvar diamantes com uma pedrinha de rubi. Eram diamantes com coração. Não deu tempo. Vários diamantes com rubi se foram...
Culpados: a natureza, o terremoto, marte, a lua, o mar, os rios, a lama. Segundo culpado: quem? Fato é que Bento Rodrigues se foi e junto com ele sonhos transformados em lama.
Não havia sequer um aviso de perigo. Não havia um plano. Não havia nada. Havia uma mulher, um homem, uma criança, havia o vovô e a vovó, havia o pai e a mãe. Havia. Não há mais. Não em Bento.
Uma tragédia debaixo de nossos olhos e a solução esteve e está na justiça falha e esdrúxula dos homens. Amontoaram famílias e pessoas de bem. Porque não trouxeram para capital, para acomodações no Ouro Minas, Othon Palace e tantos outros. É pedir muito...
Enquanto estupendos estudiosos se preocupam em criar novos tipos de seres humanos e regras, a vida básica se deteriora como farelo em nossas mãos. Onde está o legislativo, o judiciário e o executivo? Onde está o voto de Bento Rodrigues. Eu sei: no lixo. Assim como o meu. Onde estamos nós neste cenário trágico e cômico?
Menininha de Bento Rodrigues, nos perdoe por não termos conseguido lhe proteger. Por não estarmos todos juntos fazendo uma corrente humana para lhe resgatar. Por deixar essa lama maldita, que suja nosso mundo diariamente, levar você de seu papai e sua mamãe. A gente nem tentou. Mas, reze por nós para que um dia estejamos em paz como você está agora.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Galo x Corinthians

A tarde começou com uma breve caminhada pela ruela que liga a rua Pitangui à rua Ismênia. Até chegar à entrada que me cabia passei pelos corintianos. Já havia confusão. Já havia gás de pimenta no ar. Um clima estranho de guerra quando era para ser de festa. E posso dizer que, se o futebol tem como prioridade gerar violência, está tudo errado.

Para analisar o jogo é preciso dizer que o Independência não comporta um clima como esse de domingo. Infelizmente o perfil das pessoas mudou. A violência mudou. A disposição para se fazer algo que beira à marginalidade está a flor da pele. O Mineirão, estádio esse que o Atlético se sagrou campeão por várias vezes pós-reinauguração, deve ser repensado. É quase que uma obrigação da diretoria e dos responsáveis pelo Gigante da Pampulha encontrar uma solução. Isso seria pensar no torcedor.

O jogo Atlético e Corinthians se resumiu na qualidade paulistana. Um time que se estruturou durante o campeonato e cresceu. Produziu e gerou resultado: o título de 2015. Três a zero e ainda três defesas espetaculares do goleiro Victor. Nenhuma espetacular do Cássio.

Salvo os benefícios de erros de arbitragem no primeiro turno, os paulistas merecem pelo bom desempenho. Não é um time ainda nível futebol europeu, mas está buscando um caminho para se consolidar como tal.

O Atlético não foi 10% do que jogou no primeiro turno. O time perdeu a qualidade de finalização e de toque de bola. Perdeu o sentido de equipe. Perdeu jogadores diferenciados. E ficou praticamente com a missão de tentar algo no comum. Contudo, no futebol, o comum dá lugar ainda ao incomum. Ao improviso, ao bem organizado, ao que vibra e busca resultado. É um jogo e, como tal, precisa de peças boas e de um estrategista bom para pensar a partida.

Dizer que o trabalho de Levir é o pior de todos seria injustiça. Mas é fato que ele há tempos apresenta o mesmo estilo de jogo e aposta muito em suas armações e improvisações. Tal feitio tem um alto custo: ser o coadjuvante. No domingo ele esperou o primeiro gol para tentar algo. Outra relevância: a falta de elenco qualificado. Sabemos das dificuldades financeiras do clube, mas, o técnico dizer abertamente que não precisa de reforços o credencia como cúmplice da estagnação. Precisava e precisa sim, Levir.

O Atlético tenta agora salvar o ano com a conquista da vaga direta para Libertadores 2016. E conquistando essa vaga precisará conquistar um planejamento exemplar para honrar tal feitio. Diretoria tem de apresentar uma equipe que esteja disposta a brilhar 12 meses e não 6, como foi em 2015. Bola pra frente! 

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Pitacos Navegantes - A chuva que cai para cima

A avenida Vilarinho ontem em Belo Horizonte foi uma prova que a administração pública está de braços cruzados em ações que possam gerar escoamento, recolhimento e armazenamento de água. De nada adianta os períodos de estiagem e os alarmantes indícios da falta de H2O.
Assim como na economia é mais fácil aumentar impostos e tarifas do que implementar ações efetivas e construtivas.
E os eleitos do executivo e legislativo não se esquecem, entretanto, de fazerem o marketing de ações bizarras e simplórias, obrigatórias muitas vezes, para o pleito do voto eterno!
Há ainda o outro lado da moeda: a falta de educação em jogar lixo nas ruas. É tudo um verdadeiro ciclo de desrespeito e desdenho para com o próximo.
Assim, a sensação é que amanhã pode chover um planeta terra de água que será anunciada a seca no outro dia. Nunca sera suficiente. É como se chovesse mesmo para cima!
Segue a vida.

domingo, 19 de julho de 2015

Ronaldinho Gaúcho - R10 2015

Ronaldinho Gaúcho: o gênio reaparece 

Naquele junho de 2012, Ronaldinho Gaúcho, o gênio, desembarcava em uma nova cidade. Cosmopolita por natureza, ele já havia passado por Porto Alegre, Paris, Barcelona, Milão, Rio de Janeiro. Para recuperar seu brilho, sua mágica, precisava ir para um novo vilarejo! Algo diferente, mágico, assim como ele. Como num passe de mágica, surgiu na Cidade do Galo!

Diferente de tudo que passara até aquele momento, sua chegada teve uma marca: o silêncio. Foi assim que a vida do Ronaldinho começou no Atlético. Foi assim que o gênio se reencontrou com sua mágica. Sob muita crítica e olhares de desconfiança ele pisou no gramado mineiro. Até isso foi diferente, pois, onde quer que ele fosse era recebido como um astro. Aqui os festeiros nacionais não o que quiseram reconhecer. Seu irmão me contara em entrevista exclusiva o que ele veio fazer aqui. Mas o tempo e o Galo trataram de esclarecer que o mágico estava de volta. E como num feitiço ele encantou a todos. E foi campeão. Digno e normal de um gênio. O Galo o devolveu ao futebol e ele devolveu o futebol ao Galo!

Foi embora para o México. E novas festas, recepções, alvoroço. Mas o futebol havia ficado. Hoje ele desembarca novamente em terras cariocas. Assim como na primeira vez que pisara por lá foi preparado todo o roteiro de apresentação! A festa está pronta! Não que ele não mereça. A imprensa brasileira que, no Galo não deu tanta importância à sua chegada, está novamente em alvoroço. Holofotes todos voltados para sua chegada, talvez nem tanto ainda para seu futebol. 

Fato é que Ronaldinho Gaúcho é um gênio. Atualmente no mundo restam dois em plena atividade: ele e  Messi. Espero que, mesmo com toda celebração à frente de sua apresentação de futebol, ele seja feliz. A lição dada pelo Mundo Atleticano parece ter sido esquecida: deixe que ele mostre o futebol, faça sua mágica, depois faça a festa.

No mais, foi uma honra ver Ronaldinho Gaúcho vestindo o manto sagrado do Clube Atlético Mineiro, ser novamente gênio em campo e ser campeão nas terras das Minas Gerais. 

E #ficaadica : Gênio é gênio, o sucesso dependerá de quem esfregue sua lâmpada mágica!

domingo, 21 de junho de 2015

Gazeta da Lagoinha

Não Culpi somente o “pôfexor”!

Caminhamos para oitava rodada do Brasileiro. Diferente de alguns anos, Atlético e Cruzeiro precisam se refazer durante a competição. Parece que a lição de preparo e constância está mesmo longe dos clubes brasileiros. Talvez seja a economia selvagem de valores colossais que permeiam o esporte. Não creio tanto em falta de planejamento. Erros gritantes das atuais diretorias. Mas sim de uma gestão específica no futebol mais competente. Gestão essa que envolve: treinador, atletas e contratações.

Fato é que o Campeão Brasileiro e o Campeão da Copa do Brasil começaram o ano e passam por uma ligeira turbulência.

No Cruzeiro, após a saída de vários jogadores titulares da equipe, foi a vez de Marcelo Oliveira ser convidado a deixar o cargo. Um ciclo vitorioso com aproximadamente 66% de aproveitamento no geral. Marcelo não teve reposição à altura de jogadores. Insistiu muitas vezes também num esquema que já não funcionava. E, alguns jogadores, coomo Gabriel Xavier, não conseguiram boas apresentações sob seu comando. Veio então Luxemburgo, mantém o mesmo estilo de Marcelo, mesmo elenco e consegue vencer dois clássicos seguidos: Atlético e Flamengo.

Fica a pergunta: fator era motivação do técnico com os jogadores? Motivação? Não. São coisas estranhas do mundo do futebol. Quase que obscuras para o torcedor.
Mas, ainda é cedo para determinar o 2015 do “pôfexo” na Raposa. Contudo, se continuar nessa toada, o ano pode ser promissor.

No Atlético a situação é de sinal amarelo para atual momento. Equipe perdeu Tardelli no fim da temporada, Rocha machucado (dizem que já em negociação), Guilherme lutando para conseguir condição de jogo e agora, Luan, um dos jogadores mais aplicados do elenco.
No Atlético temos as atenções atuais voltadas também para Levir Culpi.

O técnico adotou um esquema com um volante e fez o Atlético apresentar por um tempo um futebol que se destacou no cenário nacional. Contudo, o esquema foi estudado por ouros técnicos, como sempre acontece. Hoje o trabalho de Levir começa a ser também questionado pela insistência em alguns jogadores do elenco, como Dátolo e retirada de alguns, como Leandro Donizete.

O Atlético jogo com o excelente volante Rafael Carioca, que, tem como característica a marcação por zona. Parece evidente que o time está vulnerável na marcação e na ligação do meio com o ataque. Contudo, Levir vem usando de certa insistência em sua formação de equipe. Isso tem irritado o torcedor que já começa a cobrar uma postura de estudo e alternativa do treinador.

Alguns jogadores do Atlético não correspondem em campo e outros são, de certa forma, prejudicados pela atual formação tática. Caso do Pratto que não tem recebido bolas para finalizar. No jogo contra o Santos o jogador foi obrigado a sair de sua posição para buscar o jogo, mesmo o time jogando sempre visando o ataque. Algo então está errado.

Pensemos caro amigo e amiga que, a caída de rendimento dos times em campo, não é culpa apenas do treinador. Houve um trabalho bem feito em ambos os times, mas é hora mesmo de repensar a estratégia para almejar um novo ano vitorioso. Mesmo que não venham os títulos, mas o futebol aguerrido e técnico tem de aparecer. Chegou a hora de Atlético e Cruzeiro se refazerem na competição. Se não vem dando certo, que se treine mais e se estude mais. É assim em todas as profissões e no futebol não é diferente. O treino e a dedicação são importantes assim como a qualidade individual e esforço de cada envolvido.

Até a próxima!


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Tijolo solto quebra-se fácil

É tempo de pensar em nossa atomização. Na era solitária. Até mesmo na falsa sensação de exposição da rede virtual. E ela pode sim nos trazer mais solidão.
Estudos da comunicação salientavam textos curtos e objetivos para web. Prova disso nasceria o Twitter. Mas a solidão humana vem como avalanche. Consumindo as relações. Criou-se então uma necessidade de se falar mais por aqui.
Como uma ágora límpida e amplificadora, a web se tornou uma espécie de muleta para solidão. Um conforto para a leitura e o conhecimento. Viver sem esta senhora é pecado mortal. Não entrar é depressão na certa. Vamos registrar. Vamos criar as redes, os laços, os vínculos, as amizades. Vamos curtir!
Para que?
É fato, e não descorrerei por agora, que o espaço virtual nos proporcionaria muitos benefícios e possibilidades edificadoras. Contudo, não estamos prontos para colocar tijolo sob tijolo nessa construção. Tudo porque somos tijolos soltos em nosso mundo verdadeiro. Estamos cada vez mais atomizados e divididos. E tijolo solto quebra-se fácil.
Não tem como voltar. Não há volta. A solidão e a falsa proximidade que o fio (ou o sinal) no traz é algo sedutor. Temos mãos satélites. Com toda efemeridade da caloria humana que a web pode nos proporcionar, ainda assim somos emudecidos por ela. E não parece. Parece que gritamos.
E o perigo está literalmente neste ar e silêncio. Neste falso grito. E o perigo rondou...rondou...e acercou-se da política. Agora são lados extremos e divididos que lutam por um poder. Lutam de forma feroz por ideais e ideais à revelia do bem comum.
Nós, isolados em meio ao contexto em que fomos um dia inseridos, nos vemos na obrigação de jamais aceitar o off.
Dias melhores virão?
Espere que vou procurar a resposta no Google e já volto...