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terça-feira, 14 de março de 2017

GALO: Dever de casa feito com capricho

O Atlético jogou sua melhor partida do ano contra o Tupi. Não que tenha superado algo intransponível, mas, fez um jogo equilibrado e compacto.

É um esboço de uma evolução querida e esperada do time sob o comando de Roger. Precisamos pensar: um passo de cada vez. O Galo finalmente se apresentou bem, fez os 4 x 0 e dominou os 90 minutos. Quanto ao Tupi ser um coadjuvante do jogo é outra discussão.

Robinho o melhor em campo. Pelo gol, pelo talento e, sobretudo, pela espetacular movimentação. Conduziu a goleada. Era para ser assim mesmo. O Galo se impondo e fazendo seu jogo aparecer. Num todo o time se encontrou em campo e, aos poucos, sinaliza compactação.

Cazares foi também um destaque. Pode ser muito melhor o equatoriano mas, ele fez sua melhor partida do ano. Não que tenha sido ótimo, mas pela primeira vez apresentou um quadro de despertar! Outros destaques para o sempre brilhante Gabriel e para o retorno de Luan.

Um comentário especial para torcida que apoiou o time. Usamos como exemplo o zagueiro Felipe Santana que, mesmo não fazendo uma grande partida, foi aplaudido nas bolas que ganhou. Se faltou um pouco de qualidade ao zagueiro, não faltaram compromisso e disposição.

Talvez faltem ao Galo alguns detalhes importantes para enfrentar os grandes desafios deste ano, mas não podemos negar: o dever de casa foi feito com capricho!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Mudança para buscar títulos!

O jogo de hoje do Atlético contra Tombense esboça uma melhora na qualidade coletiva do time em campo. Esboça. Se por um lado é injusto criticar agora qualquer ação do técnico Roger, por outro lado é cedo demais para dizer que ele acertou o jeito do time em campo.

Mesmo com fragilidade evidente do Tombense, o jogo se mostrou em alguns momentos equilibrado, principalmente no primeiro tempo. Lembrando que o adversário ainda teve um gol mal anulado. Mas no decorrer da partida a superioridade esperada do Atlético apareceu e os gols aconteceram.

Fizeram um ótimo jogo: Giovanni, Gabriel, Marcos Rocha, Otero, Fred e Pratto. E o destaque para excelente atuação do Danilo Barcelos. Danilo que, além da estrela, não esconde do jogo. Isso agrada muito. Teve totais méritos nos gols. E sem dúvida foi uma tarde de observação para Roger seguir clareando o que tem e o que não tem.

Chamo novamente a atenção para o Gabriel pela impressionante regularidade. Não sei se será zagueiro a carreira toda, mas como evolui o futebol dele!

Mais uns 2 a 3 jogos, o retorno de alguns jogadores, como Robinho e a chegada de Elias, são ingredientes para que o Galo siga firme no ano.

Neste sábado o Atlético acendeu a luz verde para 2017. Nota-se evolução!


#vamosGalo

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Surge uma nova cor: Verde Chape

@flaviodomenico

Somos apaixonados por futebol. Somos apaixonados pela vida. Somos apaixonados pela festa, pela alegria, pelos gols, pelos lances mágicos que nos transportam. Somos apaixonados pelas barriquinhas, pelas resenhas, pela cerveja, o churrasquinho. E fato: somos apaixonados por cada concreto do estádio. Somos brasileiros apaixonados pelo esporte da bolinha jogada com os pés.

Na manhã desta terça-feira, quando abrimos os olhos para o novo dia, já sentindo um clima de véspera de quarta futebolística, essa paixão deu lugar a um sentimento de dor. Uma dor silenciosa e arredia. Uma dor que agora é perene.

Belo Horizonte neste momento está chuvosa. É como se o céu chorasse conosco um dia sofrido. Uma chuva para recompor quem sabe as lágrimas ou, até mesmo, derramá-las de uma só vez. Em consonância, as telas modernas pintam a cena da Arena Condé lotada. De torcedores gritando, aplaudindo, empunhando bandeiras. As crianças também estão lá. Agora, neste momento! O mesmo canto, a mesma paixão, a mesma alegria.

Mas há um detalhe: desta vez o gramado está vazio. Não há chuteiras, não há dribles, não há apito e, o único impedimento é vê-los de novo. Não há imprensa. Não há bola! Numa cruel agonia vai se findando esse eterno dia...

Chapecó, Santa Catarina; Santa Chapecoense, Santa Chape! Nossos olhos marejados se achegam ao sono desta noite. Vão insistindo em ficar abertos para olhar também por vocês e como vocês. Estamos unidos na dor. Estivemos na alegria que por vezes é tão fatiada neste mundo do futebol. Neste momento não há atleta, pobre, rico, preto, branco, jornalista, dirigente; neste momento há milhões de corações brasileiros batendo no mesmo compasso. No compasso de uma profunda tristeza.

O futebol veio de sua pequenina importância nos ensinar que dentro das quatro linhas, quando o juiz apita, não há espaço para morte. Não há espaço para brigas imbecis. Não há espaço para divisão. Há sim muita vida dentro e fora de campo. A partir de hoje, quem sabe essa dor imensa nos ensine a ser feliz novamente com o futebol! A colorir de verde chape nossos uniformes, nossas bandeiras, nossos corações. Aprender com o verde chape a respeitar e admirar nosso próximo. Que sabe o futebol venhas a ser novamente simplesmente futebol.

Nosso carinho, nossas orações, às vítimas desta tragédia aérea no voo da destemida equipe da Chapecoense. Aos que se foram, nossa gratidão e saudade! Ficamos por aqui com a promessa que, daqui, tentaremos ser muito, mas muito melhores que ontem...

sábado, 26 de novembro de 2016

A demissão que sugere inovação

*twitter: @flaviodomenico

Há algum tempo escrevi  sobre a importância do técnico neste momento atual do futebol brasileiro (A Safra é fraca – setembro de 2014).  A escassez de bons jogadores, craques e até mesmo o desaparecimento dos gênios levaria o mundo do futebol a exigir mais do grupo e menos do individual. Mais trabalho do comandante à beira do campo, do técnico.

Foi-se o tempo onde havia 5 ou 6 atletas de alto nível num mesmo grupo. Hoje, o comprometimento da equipe, a obediência do jogador e a visão apurada do treinador tende a fazer a diferença na hora das conquistas.

O trabalho do treinador é sim de tamanha importância para organização e gerenciamento do time durante uma partida e, sobretudo, numa campanha rumo ao título. Contudo, o treinador não é a alma do time. Não é o motor e a essência das jogadas. Tal fato se deve ao clube de futebol e aos jogadores que vestem a camisa deste time. Quando o treinador chega não irá representar sua filosofia de trabalho, mas a de um clube e de sua história.

A demissão do técnico Marcelo Oliveira nos abre uma série de questionamentos sobre o papel dele no Atlético. Vamos a algumas afirmações: não havia padrão de jogo, não havia jogada ensaiada, time não era compacto em campo, jogadores muito distantes nos setores (defesa, meio, ataque), escalação e algumas substituições sempre óbvias, que quase sempre não surtiam efeitos estratégicos no jogo. E é bom lembrar que futebol ainda é um jogo!

Centralizar então a culpa de um possível ano sem conquistas (caso o Galo não vença a Copa do Brasil no jogo de volta em Porto Alegre) no Marcelo Oliveira é correto?!

Definitivamente não. Embora as afirmações citadas acima sejam verdadeiras seria muita comodidade entregar um pacote de culpas nas mãos do técnico e mandá-lo embora. E se isso fosse a solução, o ex-técnico atleticano não estaria até o primeiro jogo da final da Copa do Brasil no comando. Já teria sido demitido no meio do ano e o Galo procuraria dentro do mesmo ano seu 3º comandante.

Pensemos nos times da Europa. Pensemos no Barcelona. Hoje, desde o infantil até o profissional, a filosofia de jogo é a mesma. Há um trabalho forte e sério na base. Há um padrão. Treinamento de um estilo de jogo implantado fortemente por Cruyff a partir de 1988.

O técnico, que já havia construído uma história no clube como jogador, colheu frutos espetaculares de seu trabalho e comandou o Barça por 9 anos. Ele tinha o apoio da diretoria, da torcida e dos jogadores. Nesta época Pep Guardiola e Romário faziam parte do time.

Já está na hora, não só do Atlético, que possui uma invejável estrutura física, a melhor do Brasil, evoluir. O futebol brasileiro precisa acordar para um gerenciamento melhor de um esporte que tem perdido aos poucos o encanto e tem se tornado um mero negócio mal gerido.


Com a demissão (tardia e/ou talvez precipitada) de Marcelo Oliveira, o clube e os jogadores, simbolicamente, também foram demitidos. Mesmo restando a esperança do título, o Atlético precisa renovar e, principalmente, inovar. Lembrando que inovar não é inventar a lâmpada mas, encontrar novas possibilidades de se fazer algo, sair da mesmice. Sair do “sempre do mesmo jeito”. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Quem será nosso garçom?

O prato está servido. Cada um come e degusta aquilo que lhe é permitido. Muitas vezes não o paladar querido. 
Eticamente, politicamente, religiosamente, na mente e para quem mente, o prato está servido!
O fato é quem serve o que e, quem come o que. Ou até mesmo, quem senta à nossa mesa para cear conosco?

Domingo dois homens nos oferecerão pratos diversos. Nos convidam a ser nossos garçons. Mas apenas um terá o privilégio de nos servir por quatro anos. A olhar por nós e executar políticas dignas para uma sociedade digna. Que honra!
Neste dia escolheremos quem irá chegar perto de nossas famílias, de nossos amigos, de nosso emprego, de nossos recursos naturais, de nosso tempo, de nosso bolso, de nossas vidas, de nossas mesas.
O prato está servido. Há duas opções. Há dois sabores. Há?
Nos debates para garçom da beagá perfeita, ao invés de uma aula de gentilezas e serviços, nos apresentaram até aqui uma verdadeira batalha pelo poder. Primeiro o poder, o resto é lucro! Ah, uma coisinha aqui um outra ali e ... estará tudo certo!
Não quero entrar nos méritos da votação e nem tão pouco abrir meu voto neste ambiente virtual. Mas minha decepção com o que está acontecendo em nosso âmbito político já ultrapassou a barreira do pavor.
Temo que nossos ouvidos estejam longe de escutar o verdadeiro cardápio. E o pior: talvez a gente nem saiba mais qual o prato que queremos escolher e apreciar.
Hoje nossos bravos candidatos à cobiçada cadeira de garçom municipal de Belo Horizonte estão tecnicamente empatados. Sinal de divisão forte. Cada vez mais forte. Segue a cena. Segue o drama encenado em plena vida real! O problema é o fim da peça, porque a mensagem que tem ficado não tem edificado.

sábado, 1 de outubro de 2016

Pitacos Navegantes - Véspera de voto

É inegável a dificuldade para se votar neste 2 de outubro. Pelo sistema ruim, pela política atual, pela historicidade dos feitios (dos não feitios). Os pleitos por votos vem de todos os lados: de amigos, de colegas, de conhecidos e desconhecidos. Eles chegam como clamor necessário e redentor.
Nós, mortais votantes, temos a potente sensação de extrema democracia, de poder nas mãos. Mas essa não é a absoluta verdade. A força do foto não tem sido capaz ao longo dos anos de construir um Brasil justo, solidários e fraterno. Tivemos evoluções e o poder lá de cima tem trocado de mãos. Bom para os eleitos! Mas nem tão bom para os eleitores.
Era o imperador, eram os militares, são os civis. Evolução a passo de tartaruga. Mas há quem caminhe a passos largos!
E muitos dirão: utopia ter um país justo, ainda mais se tratando da terra de Santa Cruz. São anos e anos assolados pela medo, pela ditadura, pela extorsão, escravidão, pela exploração. Sim, somos um povo que sentimos o flagelo na hora do voto.
Hoje o chicote vem na impotência dos honorários da labuta. Nos juros do cheque especial, da compra da casa própria, dos bens com preços além da imaginação, da viagens que não podem ser feitas. O chicote vem na falta de segurança, educação e saúde.
Vem ainda no olhar cansado do pai e da mãe em ver que a honestidade e o trabalho competem de forma desonesta com a bandidagem e com o corrupto. O chicote vem forte no estudante obrigado a escutar que 4 anos de estudo em sua faculdade, geralmente lhe dará apenas o direito de se ingressar em uma pós ou MBA. Nem sempre terá um salário digno e compatível com seus sonhos e competências.
A dificuldade de votar está em tudo isso. Em pensar que nada vai mudar. Em pensar que nos chamarão de incrédulos e não democráticos. Muitos de nós vem se sentindo há tempos verdadeiros idiotas. Muitas vezes o voto nos torna patéticos. Seríamos nós verdadeiros imbecis?
Se a novela mostrou para muitos que é tempo de santo, amanhã as ruas estarão sujas e repletas de santinhos. Os interessados no poder estarão afoitos e ligados no 220. E nós, levantaremos e iremos caminhar para apertar um botão afim de que, dezenas de homens e mulheres passem "bravamente" a nos "representar".
Ao acordar nesse domingo temo que minha esperança não se levante da cama. Embora seja meu intrínseco desejo: que uma eleição fosse sinal de crescimento e evolução social!

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Pitacos Navegantes

Senhora saudade
Uma comunidade pobre de São Paulo sofreu hoje com seus barracos em labaredas de fogo. Barracos de madeira e extremamente frágeis. Mas foram barracos de esperança e de aconchego. Barracos de promessas e famílias. Barracos à margem da vida imperial, da vida real, da vida insana e luxuosa do vil metal.
Barracos que nos remetem a um mundo comandado por divisores que causam discórdia e cultuam o individual. Que incitam a cultura do "eu posso", "eu faço", "eu vou vencer". Que desfilam diariamente suas torres e cavalos luxuosos.
De repente uma senhora, com o barraco (de madeira já em cinzas), decidiu ser gentil com o repórter da TV e lhe conceder a oportunidade de entrevistá-la.
Assim, com olhos marejados, ela olha para o que restou de algo que era chamado de lar e diz assim:
"Eu queria apenas poder entrar lá dentro, sinto saudade, de entrar lá dentro de minha casa" - diz a senhora fitando o que não restou de seu barraco de madeira.
Imaginei que uma senhora que morava numa favela, numa casa feita de ripas de madeiras e pregos, sentia saudade de seu lar.
Como ela consegue lembrar com tanto carinho de um barroco de madeira tão simples e precário? Lembrei de um compositor amigo,Nelsinho Corrêa, que diz em uma música:
"Só se tem saudade do que é bom,
Se chorei de saudade não foi por fraqueza,
Foi porque amei".
O amor daquela senhora era tão puro e tão simples, tão real, tão livre de amarras e estereótipos, tão amor...
É irreversível nossa imbecilidade e nosso egoísmo humano. E não mudará. É mais fácil ser assim do que ter laços de amor. Porque é mais cômodo cultuar o que se vomita nesta escola de ostentação e poder do que partilhar. Do que promover o outro é proporcionar a ele uma oportunidade de viver em paz.
Não conheço essa senhora e, provavelmente, não vou conhecer. Mas agradeço por ela ter sido nesses poucos minutos minha professora. Por me fazer desacelerar, olhar para o que tenho e agradecer.
Ficarei contudo atento! É que talvez quando eu abrir minha janela ela esteja logo ali.